“O equilíbrio faz parte da consciência da maioria das pessoas hoje em dia”
Ralph Hekmat reflete sobre mudanças duradouras e identifica a flexibilidade como o ingrediente fundamental do futuro.
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Isto foi originalmente publicado no website da Peach. Saiba mais sobre a mudança de marca da Peach para a Cape.io.
À medida que nos aproximamos do fim de 2022, percebemos que a vida como a conhecíamos antes da crise da Covid-19 não irá regressar. E não há problema nisso. Até é algo positivo.
Aqui em Munique, acabámos de celebrar a Oktoberfest e, naturalmente, os casos do vírus voltaram a aumentar. Mas, em comparação com o que acontecia há apenas um ano, o medo em torno da situação dissipou-se drasticamente. O pânico acalmou, a nossa imunidade aumentou e conhecemos as nossas responsabilidades. A Covid-19 já não é um inimigo desconhecido a temer.
Quando tudo isto começou, em 2020, lembro-me de a Peach antecipar o próximo passo da indústria publicitária. Porque, como é óbvio, tudo o que fazemos está ligado ao que acontece no mundo da publicidade. E, tal como a maior parte do mundo, a indústria não estava preparada. As campanhas estavam paradas, o tráfego a cair a pique. O medo era a emoção dominante e fez com que muitos ficassem paralisados — congelados antes de termos de escolher lutar ou fugir.
Depois veio a proatividade — uma onda de movimento com o encerramento de escritórios, incluindo todos os nossos 34 escritórios, e o envio dos colaboradores para casa. Disto surgiu uma nova forma de trabalhar. Tornámo-nos nómadas digitais.
O que começou com o home office tornou-se mais flexível e passámos a ter pessoas a trabalhar a partir de vários locais diferentes em todo o mundo. Com as barreiras geográficas quebradas, vimos oportunidades inexploradas para operar globalmente e recrutar talento de todos os quadrantes da vida.
A Peach é uma empresa global e, embora tenhamos um hub central de customer success em Londres, aprendemos que as pessoas não precisam de estar fisicamente em Londres para trabalhar connosco. Isto abriu novas e entusiasmantes portas e processos para o progresso.
A nível individual, houve um benefício inesperado — todo o tempo e dinheiro poupados nas deslocações diárias para o trabalho tiveram um impacto positivo nas nossas relações mais próximas. Como pai, valorizei imenso o tempo extra com a minha mulher e os meus filhos — fez uma grande diferença na vida familiar. Para a maioria, o trabalho já não é uma entidade que consome tudo, e isso abriu mais espaço para outras coisas que valorizamos.
A flexibilidade levou a uma maior liberdade. Vejo isso como a maior aprendizagem que podemos retirar desta crise.
Se olharmos para aqueles que foram mais flexíveis e adaptáveis aos tempos, vemos que foram os que resistiram aos períodos mais difíceis. Um exemplo disso é o investimento que as marcas de retalho e e-commerce, como a Amazon Prime e a Deliveroo, aplicaram nas suas campanhas, enquanto muitos outros viram este momento como uma altura para travar a publicidade.
Ao identificarem a mudança dos tempos e as necessidades dos clientes, os que se moveram mais rapidamente colheram os maiores frutos, enquanto outros tiveram demasiado receio de dizer a coisa errada.
A flexibilidade é o futuro, a meu ver. A indústria publicitária é bem conhecida por estar enraizada na tradição, mas se esta experiência não abanar as coisas, o que o fará? Há quem sinta nostalgia dos "velhos tempos", pedindo aos funcionários que regressem e voltem ao "normal". Mas temos de nos afastar da velha forma de pensar. O mundo mudou e as pessoas mudaram com ele. Voltar a estaca zero ou voltar ao que era antes seria um erro.
A flexibilidade é algo positivo e é isso que todos nós esperamos agora. Então, porquê voltar atrás?
Claro que não estou a dizer que nunca nos devamos encontrar pessoalmente ou que não devamos valorizar o ambiente de escritório. Um escritório também traz muitos benefícios. Especialmente em locais como agências criativas, onde as ideias precisam de circular pela sala e a discussão espontânea gera o inesperado.
De facto, após dois anos de contacto pessoal praticamente inexistente, penso que as pessoas valorizam ainda mais as relações e os momentos da vida real. As pessoas precisam de estar em contacto com outras para estabelecer uma ligação real e para se compreenderem melhor.
Mas o ponto principal é: seja flexível. Incentive ambos. Permita o trabalho híbrido para colher os benefícios de ambos os mundos para o seu negócio e para a sua equipa.
O equilíbrio faz agora parte da consciência da maioria das pessoas. Pessoalmente, tenho ouvido menos queixas sobre excesso de trabalho ou sensação de fadiga desde que introduzimos uma abordagem mais flexível na Peach. A equipa sente-se mais saudável, mais feliz e mais forte.
Por isso, quer esteja no escritório, em casa, numa ilha tropical ou num veleiro, aproveite o trabalho, aproveite a vida e viva de forma flexível.
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